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Fatores associados ao tempo de permanência hospitalar de mulheres submetidas cesariana

A prevalência da operação cesariana tem apresentado aumento em vários países do mundo
nas últimas décadas. No Brasil, em 1970, a taxa de cesáreas era de cerca de 15%, em 2001 passou para 38% e, em 2008, para 48,8%, representando 35% das vias de nascimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e 80% do setor privado. Em 2009, o número de cesáreas ultrapassou o de partos vaginais, representando 50,1% e, em 2012, 55,7%2 de todos os partos. Ressalta-se que a Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1985, preconiza como taxa aceitável de cesárea um percentual entre 10% e 15%.

Contudo, considerando o perfil da população brasileira, em 2016 o Ministério da Saúde aprovou a Portaria 306, que aponta para a necessidade de ajuste dessa taxa em decorrência de fatores individuais, tais como características demográficas, clínicas e obstétricas das mulheres (paridade e cesariana prévia, entre outras), e estruturantes, como o modelo de atenção obstétrica. Dessa forma, atualmente a referida taxa situa-se entre 25% e 30% no país.

Evidências mostram que, quando realizados desnecessariamente, os partos cirúrgicos podem levar a um maior risco de infecção puerperal, prematuridade e mortalidade neonatal, além de elevarem o tempo de internação hospitalar3,5. Por outro lado, observa-se diminuição das taxas de mortalidade materna e neonatal pelo parto cesariano em situações específicas, tais como na presença de placenta prévia ou de ruptura uterina, as quais tornam essa via de parto a mais segura. Pondera-se, portanto, que a cesariana pode apresentar impactos positivos para a saúde quando bem recomendada, como para reduzir o índice de hemorragias.

A probabilidade da realização de cesariana tem sido relacionada a fatores maternos, infantis e obstétricos, mas sem limitar-se a eles. Fatores maternos podem incluir idade, comorbidades pré-existentes, cesariana prévia e condições de saúde adquiridas durante a gravidez, entre outros. Fatores infantis incluem problemas identificados no período intraparto, como anomalias fetais, macrossomias e crescimento intrauterino restrito. Já os fatores obstétricos referem-se às condições relacionadas à gravidez atual, como deslocamento prematuro de placenta, prolapso de cordão e hemorragias.

Considerando que o tempo de permanência hospitalar das pacientes por motivo similar é heterogêneo, ou seja, há um coeficiente de variação devido à diferença na assistência nas diversas instituições de saúde e à diversidade nas características individuais das pacientes, principalmente das complicações e comorbidades presentes, o objetivo do estudo foi avaliar o impacto dessas condições clínicas e do grupo etário no tempo de internação das mulheres submetidas à cesariana.

A determinação da influência desses fatores intrínsecos à paciente no tempo de permanência hospitalar proporciona a oportunidade de se implantar mecanismos de gestão assistencial segura, a partir de referenciais de ajuste de risco clínico para tempo de internação hospitalar em cesariana.

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